6 de maio de 2008

Violência doméstica matou 17 mulheres em três meses

UMAR incentiva uso de braçadeira negra 'contra' os casos de violência
No primeiro trimestre deste ano, morreram 17 mulheres em Portugal vítimas de violência doméstica ou conjugal. O número foi divulgado ontem, no Porto, pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), durante a cerimónia de apresentação da campanha "Nem mais uma mulher assassinada".

Segundo os dados da UMAR - relativos não só a casos de violência doméstica mas também a crimes de índole passional -, além das 17 mortes, deram-se ainda mais onze "tentativas de homicídio" ao longo dos três primeiros meses de 2008. Em declarações ao DN, Maria José Magalhães, da direcção da UMAR, lamentou os números negros da violência, explicando que, em relação aos anos anteriores, se deu um aumento dos casos de que a UMAR teve conhecimento. A dirigente revelou ainda que a situação é mais grave nas zonas norte e centro do País e incide particularmente sobre as faixas etárias dos 55/65 e, depois, dos 20/30 anos.

Foi com os objectivos de "mudar mentalidades" e "lançar o alerta" sobre a situação que a UMAR apresentou ontem a campanha "Nem mais uma". A iniciativa, promovida pela Marcha Mundial das Mulheres, convida os portugueses a comprarem, no site da UMAR (www.umarfeminismos.org), uma braçadeira negra, que deve ser usada sempre que se tomar conhecimento de um caso de violência sobre uma mulher. "É um sinal de luto e revolta", esclarece a dirigente.

A conferência de imprensa serviu para apresentar o ciclo de cinema "UMAR-te assim perdidamente", que também é da responsabilidade da associação de defesa dos direitos das mulheres e decorre de 12 a 18 de Maio, no Porto. A iniciativa inclui filmes como Frida Kahlo (de Julie Taymor) e Transe (de Teresa Villaverde) e, de acordo com Maria José Magalhães, pretende "reflectir sobre a importância de a mulher se assumir como cidadã de corpo inteiro". Após o visionamento das 'fitas', segue-se sempre um debate.

Fonte: Diário de Notícias

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