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11 de abril de 2008

Cubanos fazem fila

As filas que se formaram à porta de muitas lojas em Havana, nesta última semana, não deixaram ninguém indiferente. É verdade que a maioria dos cubanos foi apenas "ver as montras", com os leitores de DVD, os televisores ou os computadores a serem demasiado caros para as suas carteiras. Mas a verdade é que está aí: o fim das restrições "supérfluas", anunciado por Raúl Castro na sua tomada de posse, a 24 de Fevereiro, impensável quando o seu irmão Fidel estava no poder. O uso da palavra "reforma" é contudo tabu.

"Passo a passo sobe-se uma montanha. Pelo menos este senhor é mais realista que o irmão", disse uma jovem à entrada de uma loja, citada no site de imprensa independente cubana, www.cubanet.org. "Deviam ter feito isto há muito tempo", diz outro cubano ao sair da loja com uma bicicleta eléctrica que lhe custou cerca de 520 euros. Fabricadas na China, estão agora ao dispor de todos. Isto é, todos aqueles que possam pagar o equivalente a 40 ordenados médios cubanos, que rondam os 13 euros.

Esta abertura económica vai fazer transparecer aquilo que na realidade já existia, duas classes distintas em Cuba. Aqueles que têm acesso aos pesos conversíveis (os CUC), com os quais podem comprar estes novos bens, e os que só podem contar com os pesos normais. Os primeiros valem 24 vezes mais que os segundos e estão acessíveis a 40% ou 50% dos cubanos através do Turismo, dos bónus de algumas empresas ou dos familiares exilados. Anualmente, entram no país por esta última via cerca de dois mil milhões de dólares.

Fonte: Diário de Noticias

Comentário:"Não se trata de hipocrisia ao criticar o fim de certas restrições em cuba… Mas a perda de entidade de um pais está em causa… Para além, de que abertura económica vai alimentar a divisão das classes sociais em Cuba."

19 de fevereiro de 2008

Fidel Castro renunciou à Presidência de Cuba

"Não aspiro, nem aceitarei - repito - não aspiro, nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e de comandante-em-chefe", escreveu Fidel Castro numa carta publicada no diário oficial Granma.

O líder histórico de Cuba, com 81 anos, estava afastado do poder há cerca de 19 meses, altura em que foi operado aos intestinos. Desde então apareceu esporadicamente em vídeos e fotos divulgadas pelas autoridades do país.

Evocando o "seu estado de saúde crítico", Castro diz: "Trairia portanto a minha consciência ao ocupar uma responsabilidade que exige a mobilidade e um investimento total que eu não estou, fisicamente, capaz de oferecer. Digo-o sem qualquer dramatismo".

O futuro
O seu lugar estava a ser ocupado interinamente pelo irmão Raul Castro, 76 anos, que deverá ser agora escolhido para presidir ao Conselho de Estado. No dia 24 de Fevereiro a Assembleia Nacional vai reunir-se para escolher o sucessor de Fidel Castro.

"Felizmente o nosso processo conta com quadros da velha guarda, junto a outros que eram muito jovens quando se iniciou a primeira etapa da Revolução", disse Castro. "Eles têm a autoridade e a esperiência para garantir a substituição".


A renúncia de Fidel não é uma surpresa. Em Dezembro do ano passado a televisão cubana revelou uma carta escrita por Castro onde prometia que não ficaria "agarrado" ao poder e que não impediria o surgimento de jovens líderes.

Castro diz que esteve a preparar o povo
Hoje, Fidel Castro alerta os cubanos para estarem preparados para a "pior das variantes" e assegura que durante a sua ausência por doença esteve a preparar o povo para o futuro. "Prepará-lo para a minha ausência, psicologicamente e politicamente, era a minha primeira obrigação depois de tantos anos de luta", escreve o líder cubano.

Fidel afirma que vai continuar a divulgar as suas reflexões. "Não me despeço de vocês. Desejo apenas combater como um soldado das ideias. Seguirei escrevendo sob o título 'Reflexões do Companheiro Fidel'. Será mais uma arma do arsenal com a qual se pode contar. Talvez a minha voz seja escutada. Serei cuidadoso."

Fonte: Público

Comentário:"Fidel Alejandro Castro Ruz, chamado por muitos de ditador mas acima de tudo um revolucionário, visionário e um herói nacional. Fez frente a dez sucessivos presidentes dos EUA. O pequeno David cubano contra o Golias americano. Fidel criou bons serviços de ensino e saúde. Cuba tem o mais alto nível de literacia da América Latina. A sua taxa de mortalidade infantil é inferior à dos EUA. E médicos cubanos são enviados para ajudar outros países pobres. Perde Cuba, perde o mundo… A viagem a Cuba deste membro do quarteto, torna-se a prioridade máxima! Antes que os ditadores do mundo apaguem a beleza e cultura deste país. "